BRANGUS
Origem
A raça Brangus foi desenvolvida simultaneamente nos Estados Unidos, Austrália, Argentina e Brasil, para atender a demanda de um bovino plenamente adaptado às regiões mais difíceis para o gado europeu. As primeiras pesquisas e experimentos no Brasil datam de 1945, na EMBRAPA - Bagé/RS, sendo oficializada como raça, 10 anos mais tarde, pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.
É uma raça de corte, mocha, formada no sul dos EUA. O Brangus tem 5/8 de sangue Angus e 3/8 de sangue Brahman.
Características
Principais características: o Brangus é o resultado da união das características predominantes no Aberdeen Angus, tais como qualidade de carcaça, pigmentação, fertilidade e precocidade; com as do Zebu - adaptação e rusticidade.
Associação Brasileira de Brangus
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E-mail: info@brangus.org.br
http://www.brangus.org.br/
Enciclopédia
Introdução à Raça Brangus e Seu Uso no Brasil Central
De todas as armas de que dispõe o pecuarista na atualidade, são as técnicas de cruzamento industrial as mais rápidas e econômicas para o aumento da produtividade e do lucro do criador. O criador, ai optar pelo cruzamento deve definir um plano, determinado objetivo à médio e longo prazo. A escolha da raça a ser introduzida é uma decisão muito importante, uma vez que o objetivo é combinar a adaptação e rusticidade dos rebanhos zebuínos que hoje compõe a quase totalidade das matrizes no Brasil Central com a especialização e produtividade de animais de origem européia produtores de carne. O criador ao planejar o cruzamento deve balancear as características reprodutivas e produtivas, tendo em mente que sem adaptação não há produção. Para que esta escolha seja feita de maneira correta, deve-se levar em conta as seguintes características:
A. Reprodutivas
- Fertilidade / Intervalo entre partos
- Peso adulto da matriz / Necessidade de manutenção
- Peso ao nascer / Facilidade de parto
- Habilidade materna / Taxa de desmame
- Produção de leite / Peso do bezerro ao desmame
- Precocidade / Idade ao primeiro parto
- Longevidade / Vida útil da matriz
B. Produtivas
- Precocidade / Rapidez de terminação da carcaça
- Conversão alimentar / Eficiência em confinamento
- Rendimento de carcaça / Relação Músculo: Osso: Gordura
- Qualidade do produto final / Marmorização / Sabor, Maciez e Textura
Das várias raças atualmente envolvidas nos programas de cruzamento no Brasil Central, a que tem apresentado maior potencial na fixação e melhoria destas características reprodutivas é, sem dúvida, o BRANGUS.
I) Definição e Histórico:
O Brangus é uma raça sintética, um bimestiço, formado por 5/8 ou 62.5% de sangue de Aberdeen Angus e 3/8 ou 37.5% de sangue zebu. Todas as raças sintéticas tiveram sua formação neste século. Especificamente nos EUA, as raças Angus e Brahman começaram a ser cruzadas na louisiana a partir de 1912, originando o programa Brangus, que finalmente em 1949, com a fundação da associação de criadores, foi reconhecida como raça definida pelo governo americano. No Brasil, trabalho similar de cruzamento, utilizando as raças Angus e Nelore, foi desenvolvido por técnicos do Ministério da Agricultura em Bagé, em fase experimental à partir de 1940. Ao definir-se como Brangus um animal com 5/8 de sangue Angus e 3/8 de sangue Zebu, procura-se a interação entre a rusticidade, tolerância ao calor, fertilidade, longevidade e resistência a infestações de ectoparasitas do Zebu, com a fertilidade, habilidade materna, precocidade e excelentes qualidades de carcaça e carne do Angus.
II) Raças Formadoras
Dentre todas as possibilidades de cruzamento industrial no Brasil Central temos sempre uma condição básica: a base de matrizes Zebu, principalmente a raça Nelore. A escolha a ser feita é a da raça européia a ser introduzida. As raças européias de corte não são comuns à maioria dos rebanhos do Brasil Central e é importante classificar o A . Angus entre as diversas raças usadas atualmente para cruzamento industrial no Brasil Central.
Classificação: temos dois grupos geograficamente divididos.
A.Raças Britânicas:
Aberdeen Angus
Hereford
Shorthorn
B. Raças Continentais:
Chianina / Marchigiana
Charolês / Limousin
Simental / Gelbvieh
O Aberdeen Angus:
A raça da vaca-mãe, o negro mocho, sinônimo da mais apreciada e saborosa carne do mundo, o Angus é originário da Escócia, onde no fim do século XVIII o Sr. Hugh Watson iniciou a seleção destes animais procurando fixar um tipo definido para obter especificamente animais para engorda.
Principais características da raça:
Clássico biotipo de raça produtora de carne. Animais volumosos, compridos, de boa profundidade, costelas bem arqueadas e separadas, dorso e lombo amplos e compridos com boa cobertura de carne. Linhas superiores e laterais retas, linha baixa reta, limpa, sem excesso de peito e pele. Posteriores muito amplos, de contornos alongados, com musculatura bem firme. Pele de espessura fina a média, fortemente pigmentada, com capa de pêlos finos, curtos e brilhantes. Nas fêmeas, além das características acima, deve-se observar o bom desenvolvimento e amplitude dos ossos coxais e sacro, o bom desenvolvimento do úbere e tetas, expressão feminina, denotando características próprias de uma boa mãe, marca registrada da raça Angus. A tabela seguinte, cedida pela Better Beef Busines - EUA, foi desenvolvida através de um volume realmente grande de informações e compara características econômicas das raças mais usadas no cruzamento industrial, sintetizando as aptidões e diferenças existentes entre elas.
Coluna Descrição da Característica
A Eficiência em condições manejo
B Fertilidade
C Tamanho do bezerro ao nascer
D Capacidade Materna
E Peso ótimo para Abate
F Musculatura
Para uso em cruzamento
G Maternal
H Terminal
I Rotacional
O Nelore
É muito fácil falar sobre o Nelore dentro do contexto de cruzamento industrial. Foi introduzida na Brasil em fins do século passado e logo tornou-se a mais importante e populosa raça no país. Isto deu-se às admiráveis qualidades reprodutivas, rusticidade e adaptação ao clima e sistema de criação básico do Brasil Central. É a verdadeira raça nacional, devendo ser a base de qualquer programa de cruzamento industrial. Porém outras raças zebuínas como o Brahman, o Guzerá e o Tabapuã podem e devem ser usadas na formação e desenvolvimento do Brangus, com o intuito de se manter o máximo de vigor de heterose, aproveitando-se uma base racial mais adequada para cada caso.
Conclusão: Em resumo podemos dizer que o Brangus é a união da raça européia mais especializada e eficiente para o propósito específico de produção de carne de alta qualidade com a raça zebuína mais adaptada às condições naturais do Brasil Central. O mais importante é que Angus e Nelore são raças extremamente complementares, que podem ser combinadas de diversas maneiras, como veremos a seguir:
III) Métodos de cruzamento para a formação do Brangus no Brasil Central:
Existem vários métodos de cruzamento para obtenção do Brangus (5/8 : 3/8), porém os mais viáveis e práticos para o Brasil Central são; o tradicional, a absorção de ½ sangue por Brangus e o cruzamento absorvente.
a) Tradicional:
Dentre os diversos modelos de cruzamento para obtenção de um mestiço 5/8 : 3/8, foi o que apresentou os melhores resultados nos diversos programas de pesquisa e desenvolvimento de raças sintéticas.